
Assim. Especialmente quando
(assim)
está sol, especialmente quando
(assim)
há algo bonito que me faz acreditar. Não acredito de forma alguma, nem
(assim). Se ao menos estivesse a ficar religioso, mas não. Um cepticismo incoerente e sem fundamentos
(assim)
como as minhas opiniões porque sim
(assim)
de qualquer maneira. Acabei por justificar tudo e cada detalhe pormenorizado que até desenvolvi uma explicação para dizer que o branco é a minha cor preferida e porque é que de manhã prefiro ouvir The Beatles e à noite The Magnetic Fields. Porque, porque porque. Porque no último ano foi a palavra que mais proferi
(assim)
sem mais nem menos, porque sim. Para que acreditassem em mim
(assim.)
Assim
(outra vez.)
Contemplar o céu como algo que vela por nós, contemplar só, ser profundamente metafísico
(assim)
com os sentido autizados para me concentrar só no céu, cinzento de país sem sol. O céu cai tanto
(assim)
como o dia de hoje, fechado em casa, o mundo lá fora acontecer, a bomba a atómica, os testes coreanos, o ministro suicida, o centro de saúde de Vendas Novas, os massacres no continente quente, Paris presa, Victoria nos Anjos e tudo mais
(como o dia de hoje, fora o almoço, o polvo, a água do Luso, a baba de camelo e a conta em libras em vez de euros.)
Olhar para o cima no dia de céu incerto, conspiram tanto nas minhas costas que me deixei de importar. Só o céu; talvez esteja a ficar relig
(outra vez)
(assim não!)
É continuar até à biblioteca, empurrar o carrinho, decidir cotas e arrumar os livros que outros desarrumaram. O olhar de espanto, aquele olhar vazio pelo cano, dois olhares
(assim.)
Mas não acabo morto
(ainda assim agora.)
A não ser daqui a uns anos. Décadas, de preferência.